segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Pastel sem vento, do Sonho Lindo

O nome é meio estranho para um boteco: "Sonho lindo". À primeira vista combina mais com loja de brinquedos ou doces, mas ouvi dizer que tem uma história curiosa por trás dessa escolha. Deixemos, porém, de lado especulações acerca da alcunha e vamos ao fato, ou melhor, ao prato. A filial laranjeiras é uma entre as dezenas  de botecos da rede que se espalharam pela cidade. Cada um tem sua produção independente. O da rua Mario Portela (onde antes ficava a Tasca do Edgar, agora situado quase em frente), é uma ótima opção para uma cerveja pré-night  ou para um chope no fim de semana à tarde. Os carros-chefe são os pratos baseados em frutos do mar, esses, porém, confesso que nunca provei. Sempre passo por lá rapidamente e fico mesmo com os prosaicos pastéis. São aqueles velhos conhecidos no tradicional formato de meia lua. O diferencial está no recheio: vem entupido, a ponto da moça do caixa dizer que tem gente que até reclama do excesso. O de queijo e de camarão são meus prediletos, simples e fartos, como as comidas de boteco devem ser.





segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Clássico do Leblon

De princípio achei que a infância e adolescência passadas no Leblon dos anos 80 pesaram na escolha dele. Por outro lado, sabia que tinha algo de legítimo em seu parecer, pois não tinha se deixado influenciar pela gentrificação do bairro (somada à glamourização trazida pelas novelas do Manoel Carlos)  que fez com que os botecos de esquina fossem, aos poucos, substituídos por restaurantes e cafés sofisticados. Até hoje, em suas incursões ao bairro natal, ele leva consigo o espírito antigo de um Leblon meio suburbano, com climão de cidade de interior, mas ao mesmo tempo descolado. Seja pelo churrasco na calçada onde todos se conhecem, seja pela intimidade com que o pessoal das barracas da praia o tratam. Foi ele, carioca de nascença e cosmopolita por vocação, quem deu a dica: "meu voto vai para aquele que mais comi por ser o melhor BBB (Bom, Bonito e Barato) da zona sul: (sanduíche de) salada de galinha no integral com suco de goiaba do Big Polis. A melhor promoção do mundo."
Dias atrás estava no referido bairro já tarde da noite e fui conferir. A dica do rapaz estava muito além de um mero apego bairrista. O suco grosso e puro tem gosto de goiaba do pé, só que gelada (pedir para adoçar é um sacrilégio), e o sanduíche é daqueles cujo recheio é muito mais espesso que o pão, delicioso. Nem mesmo o exagero da pasta faz com que se torne enjoativo, prova disso é que pedimos outro. Aplaca a fome do pós-praia ou pós-balada (nesse segundo caso, é provável que evite a ressaca no dia seguinte também). De quebra, o amigo peruano que estava conosco provou pela primeira vez o açaí e se encantou com o sabor da exótica fruta amazonense.
A despeito das lanchonetes modernosas e de uma famosa loja de fast food bem pertinho dali,  a Big Pólis, inaugurada na década de 1960, continua reinando por lá, está sempre cheia, atraindo não só os ex-garotos do Leblon, como a nova geração.
Já a tal loja de fast food até fechou a outra filial do bairro....


                                                          


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Govinda, bem vindo!


massala, ghee, pimenta...

Foi um amigo vegetariano que indicou o Govinda, um restaurante lacto-veggie que segue a culinária indiana.  Nada de alho e cebola. As refeições são preparadas à base de temperos indianos como ghee, massala e o já conhecido alho poró. Alguns pratos são apimentados, mas nada em demasia.
Em meio à barulheira do centro da cidade, ao adentrarmos no pequeno prédio do restaurante, já sentimos a atmosfera mudar: pétalas de rosa espalhadas nos degraus, música indiana tocando baixinho e, nas paredes, quadros com deuses hindus.
Na entrada do recinto, três opções de chás para se degustar: ervas, caipi hare e chai. Deliciosos. O Govinda serve a refeição completa com preço fechado: salada, suco, prato principal (duas opções) e sobremesa. Muitas vezes, ao ler o nome dos pratos não se tem a mínima ideia do que se trata, aí pode-se pedir ajuda às simpáticas garçonetes vestidas de sari ou arriscar. Eu já pedi coisas que não tinha ideia e todas as vezes tive ótimas surpresas. As poções não são exageradas, a impressão que se tem é são a justa medida do que se deve comer. Nada de sair empanzinados, como ocorre depois de uma ida ao rodízio ou uma churrascaria. 
Depois que fui a primeira vez, acompanhada por um amigo fã de bifes e frituras, viciei. E ele, surpreendentemente, também gostou e estamos sempre por lá.








salada, sobremesa e suco